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Mineradoras impulsionaram o crescimento de Catalão.

Publicado em: 19/02/2009 | Por: Revista Mercado

Situado no sudeste do estado de Goiás, a 114 quilômetros de Uberlândia, Catalão é um município de extrema importância econômica para a região. Além das inúmeras riquezas naturais, a cidade, de 3.777 km2 de área e cerca de 80 mil habitantes, possui um grande complexo industrial e agropecuário e está numaposição estratégica de acesso a diversas capitais, como Goiânia, Belo Horizonte e São Paulo.

O visitante que chega hoje a Catalão talvez nem imagine que foi o solo rico do município o principal aspecto que marcou o início do seu crescimento a partir da chegada de empresas do setor de minério na década de 70. Antes de deixar o cargo, no final de dezembro, o então prefeito Adib Elias informou que a cidade há muito deixou de ser um pequeno povoado, passando a gerar emprego, atrair pessoas e a se destacar e se desenvolver em todos os aspectos muito por causa da mineração. O município possui algumas das maiores jazidas minerais de Goiás, ricas em argila, brita, fosfato, nióbio, vermiculita e terras raras.

Perto de completar 149 anos, Catalão está em terceiro lugar no estado em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), arrecadação de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS), e primeiro no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), conforme dados da Secretaria de Estado do Desenvolvimento de Goiás (Seplan).

Todo esse desenvolvimento teve início com a chegada das Mineradoras que transformaram a cidade em pólo mineroquímico industrial. Segundo Adib Elias, atualmente a cidade se desenvolve através de diversas economias e indústrias que se instalaram nela, mas o que deu início a esse processo de crescimento foi o minério. Ele afirmou que as mineradoras mudaram o perfil socioeconômico da cidade, acrescentaram oportunidades e perspectivas não só para empregabilidade como para agregar valor à qualidade de vida. “Catalão tem uma grandeza de pecuária, expansão da agricultura, comércio crescente, industrialização emergente e subsolo rico”, ilustrou orgulhoso o agora ex-prefeito (em seu lugar assumiu Velomar Gonçalves Rios).

Uma das mineradoras presentes da cidade, que pertence ao grupo Anglo American, deu início à produção na cidade em 1976 e conquistou no ano passado o recorde de produção. De acordo com a assessoria de imprensa da empresa, ela chegou a produzir um milhão de toneladas de fertilizantes. Para esse ano a empresa pretende aumentar em 30% toda a produção. Isso significa aumentar também vagas de empregos, que consequentemente vai movimentar ainda mais a economia local em todos os aspectos.

Riquezas

O geólogo Aldo Ferrari explica que a região se caracteriza pela ocorrência de rochas alcalinas, localizadas onde se situam as minerações de fosfato e nióbio, obtidos respectivamente dos minerais apatita e pirocloro. Essas mineralizações são raras, sendo que no Brasil são conhecidas em apenas algumas outras regiões. “Temos em nossa região a presença de importantes recursos minerais para titânio, terras raras e diamantes”, disse o geólogo. As jazidas de vermiculita, titânio, terras raras e rochas portadoras de diamantes, conhecidas por Kimberlitos, segundo Aldo, ainda não são economicamente exploradas, mesmo porque alguns estudos estão sendo realizados para um futuro aproveitamento. Aldo revelou que existe uma concentração de minério de titânio na região que está entre as maiores do mundo, e que vem sendo estudada desde 2005. A liga de ferronióbio, que também é forte na região, segundo a assessoria de imprensa da Mineração, é usada principalmente na produção de aços especiais para indústrias automobilísticas, de construção civil pesada e de infraestrutura, indústria marítima e aeroespacial que sai de Catalão para o Brasil e o mundo.

Mão-de-obra

Todo esse desenvolvimento e crescimento se esbarram num grande problema: a mão-de-obra qualificada dos profissionais da cidade. A maioria das empresas, de acordo com o economista e consultor da Associação Comercial, Industrial e de Serviços do Estado de Goiás (Acieg), Ot Vitoy, procura profissionais qualificados em outras regiões devido a essa carência. Segundo Vitoy, as pesquisas revelam que a maioria das pessoas que estão trabalhando na cidade é de fora. “A mão-de-obra não está acompanhando o crescimento acelerado da cidade”, disse. O economista ainda revelou que essa é uma questão típica de cidades em pleno desenvolvimento, como Barro Alto, Catalão, entre outras. A demanda, segundo o secretário municipal de Trabalho, Leonel Safatle, vem crescendo gradativamente e para atender a essa necessidade, a secretaria tem criado projetos de cursos de capacitação profissional para oferecer melhores empregos para a comunidade catalana. Segundo Leonel, uma das áreas mais carentes, hoje, é a da construção civil. “Muitas empresas ameaçam buscar gente de fora, mas nós estamos tentando evitar ao máximo que isso aconteça”, disse Leonel.

Imóveis

Esse desenvolvimento também reflete no setor imobiliário, que sofre com a falta de imóveis. Segundo a gerente de uma imboliária da cidade, Letícia Dias Ribeiro, a procura aumentou 30% nos últimos meses e existe pouca oferta. Para solucionar o problema, segundo o Prefeito da cidade, existem empresas ligadas ao setor de construção civil que vão implantar grandes investimentos com condomínios fechados, moradias populares e preços médios. “Tanto crescimento merece uma atenção maior em relação ao setor imobiliário”, informou.

Hotelaria

Na rede de hotelaria não é diferente. O proprietário de um dos hotéis da cidade, Marcelo Margon, há cinco anos no mercado, revela que nos últimos dois anos houve um aumento significante na procura por hospedagens. O movimento, segundo ele, chega a alcançar 30 diárias por semana, o que significa que a cidade está se desenvolvendo também na questão do turismo de negócios. “Além do efetivo fixo das empresas, muita gente vem de fora para realizar algum tipo de serviço aqui. Estamos vivendo um momento muito feliz”, concluiu.
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